2012

Previsivelmente Irracional
Como as situações do dia-a-dia influenciam as nossas decisões

Sabia que tudo é relativo porque o homem nasceu programado para comparar? E que para comparar coisas, sempre nos ancoramos em alguma referência? Por exemplo, não sabemos qual é o valor de um curso de 160 horas em uma boa instituição de ensino. Mas sabemos que será mais caro que um curso da mesma duração em uma instituição ruim e que será mais barato do que em uma instituição top de linha. Tudo é relativo.

E por causa deste instinto de comparação e ancoragem, a lei da oferta e procura não existe. Imagine o seguinte: você está em uma deserto, com muita sede. O que vale mais, um copo de água ou o quadro da Monalisa? Se a lei da oferta e procura fosse real, o copo de água valeria mais que o quadro. Mas aposto que você preferiria morrer de sede a trocar o quadro pelo copo...

O livro relata experimentos muito legais e a leitura é bem fácil. Um dos experimentos tinha o objetivo de mapear o impacto de nossas emoções sobre nossas escolhas. Somos mesmo irracionais? O pesquisador perguntou a seus voluntários se eles transariam sem camisinha. Lógico que a maioria disse que não. Ele então emprestou um notebook para cada respondente com uma aplicativo que fazia o seguinte: exibia fotos eróticas e  intercalava com as perguntas do teste. Resultado: o percentual de pessoas que fariam sexo sem camisinha saltou! A excitação mudou a escolha dos respondentes. E é por isso que as empresas oferecem amostras grátis, test-drives e etc. Para que sua emoção fale mais alto que a razão.

Auto-sugestão
Quando acreditamos que algo de antemão será bom, modificamos nossas ações e percepções para que seja bom. Um experimento: tinham dois copos da mesma cerveja, só que um tinha gostas de vinagre balsâmico e outro não. Quando o pesquisador fazia um teste cego para saber qual era a melhor, a maioria escolhia a que tinha vinagre. Mas, se o pesquisador antes do teste revelasse que a cerveja tinha vinagre, a preferência se alterava. Tinha até gente que fazia careta! Ou seja, mudamos até nosso paladar com a auto-sugestão.

Primeira referência
Nos ancoramos na primeira referência. Quer um teste?O pesquisador pedia para que todos escrevessem os dois últimos números do seu CPF em um papel. E depois pediu para que cada um desse um lance para diferentes objetos, como um mouse pad, um vinho e uma bolsa. Sabe o que ele constatou? Quem tinha números de CPF baixo dava lances inferiores às pessoas que tinham os dois últimos números do CPF mais altos. Ou seja, as pessoas se ancoravam na primeira referência.

Gostou? Então leia o livro, recomendo bastante!

2012

Em abril fiz o curso "Intelligent Organizations: collaboration and the future of work" no MIT. O curso discutia como as empresas vão mudar o jeito que trabalham neste novo século marcado pela colaboração, autonomia e inteligência coletiva.

O professor, Thomas Malone, é o "cara" de Inteligência Coletiva no MIT e no mundo. Ele é o diretor do núcleo de IC no MIT e foi o organizador da primeira conferência mundial sobre o assunto (que também fui conferir). Fui a primeira vez que consegui ter contato com um "guru". Muito legal estar envolvido em um movimento no seu início.

Segundo Thomas, o mundo se transforma a cada revolução na comunicação. A primeira revolução foi com a escrita. Ela permitiu "imortalizar" um conteúdo. Antes o conhecimento só era passado através da fala. Outra revolução foi a prensa inventada por Guttenberg. Ela permitiu a produção em massa de livros, aumentando a diversidade da leitura da época. Antes de Guttenberg era muito caro produzir e copiar livros. Depois tivemos uma revolução provocada pelo audio visual. Com os rádios e televisões era possível atingir muita gente com o mesmo conteúdo. Era o marketing de massa. E agora temos a internet e redes sociais, que baixaram a zero o custo de comunicação. Quanto custa conversar com alguém de outro país? Zero. Quanto custa formar e se relacionar com um grupo de estudantes de dezenas de países? Zero. E é esta era da conexão e rede que nós vamos viver daqui para frente.

Isto significa que podemos realizar trabalhos de forma coletiva, sem estar presos a amarras como localização, cultura ou classe social. Wikipedia é um exemplo. Todos podem participar. E porque não fazer isso dentro das empresas? Porque só a área de Marketing pode fazer ações de Marketing? Será que outras pessoas de outras áreas não querem e não podem ajudar? Será que a nova geração Y, multi-tarefas, não ia gostar de um ambiente assim?

Bem, foram muitos conhecimentos e eu prometo postar no Serviçologia. Promessa é dívida...


2012


Em abril fui até Boston participar da primeira conferência internacional de Inteligência Coletiva, organizada pelo MIT. Foi um marco para mim poder participar de um movimento tão importante em seu início. Tenho certeza que a colaboração, em poucos ou em massa, assim como o comportamento coletivo vão mudar nossa forma de relacionar, aprender e trabalhar.

O evento era basicamente acadêmico, com muitas palestras de pesquisadores. Fiquei impressionado como temos muita gente estudando inteligência coletiva. Meu trabalho é trazer para o "mundo real", já que muitas pesquisas ainda estão descoladas do mercado.

Durante o evento pudemos visitar o centro de tecnologia, onde ficam diversos laboratórios de pesquisa, como o da Lego. Os caras tem muita tecnologia mesmo...

Vou postar o que achei mais interessante no meu blog "Serviçologia", para poder detalhar um pouco mais as palestras.

2012

Gestão da Inovação na Prática
Como aplicar conceitos e ferramentas para alavancar a inovação

Este livro foi escolhido como melhor obra técnica nos últimos quatro anos, na área de economia e negócios da Feira do Livro de Porto Alegre (link).

Gostei deste livro pois ele mostra de forma bem direta um plano de ação para estruturar uma iniciativa de inovação dentro da empresa. Ao contrário do que muitos pensam, ter idéias é muito fácil. O verdadeiro gargalo das empresas é na implementação delas.

Segundo os autores, Felipe Ost Scherer e Maximiliano Carlomagno, tivemos uma época onde a busca por eficiência padronizou as empresas. Foi a época dos 6 sigmas, reengenharia, certificações e etc. Isto deixou as empresas muito iguais. E para se diferenciar, é preciso inovar. Mas inovar envolve tolerar erros, assumir riscos, apostar no longo prazo e praticar mudanças. E isto dói nas empresas acostumadas a não tolerar erros, controlar os custos de forma ferrenha, apresentar resultados no curto prazo e acostumadas a não mudar processos. Sim, inovar é complicado.

Scherer e Carlomagno dizem que para conseguirmos resultados positivos com a inovação é preciso prestar atenção a três pilares: cultura, processo e tipos de inovação.

1. Cultura
Para entender se a cultura da empresa é propícia para inovar, há oito perguntas fundamentais:

a) Estratégia: a estratégia da empresa é alinhada com a inovação? Há objetivos e metas de inovação, como lançamento de novos produtos? A 3M determina que 25% de seu faturamento deve vir de produtos com menos de cinco anos de existência.

b) Ambiente: o ambiente organizacional apóia a inovação? No Google, os engenheiros possuem 20% do tempo livre para praticar inovação.

c) Liderança: é claro para os líderes a importância da inovação? Na Andrade Gutierrez, os executivos são responsáveis pela implementação da inovação.

d) Pessoas: há apoio, incentivo e colaboração para buscar a inovação? A empresa reconhece quem busca a inovação?

e) Estrutura: a empresa possui uma área específica ou pessoal responsável pela inovação? Algo como diretoria de inovação ou gerência de pesquisa e desenvolvimento?

f) Funding: há recursos destinados a inovação? Algo como uma certa porcentagem do faturamento?

g) Relacionamentos: os parceiros, clientes e fornecedores são envolvidos no processo de inovação?

2. Processo
O processo de inovação possui as seguintes etapas:

a) Idealização: pode ser feito através de portais de idéais, caixa de sugestões, brainstorm, open innovation e etc. A criação de idéias de inovação só funciona bem quando a cultura apóia a inovação (oito perguntas acima).

b) Avaliação inicial ou triagem: as idéias são classificadas em:
- Estrela: idéias já bem conceituadas, que podem ir direto para experimentação ou implementação.
- Osso: idéias inviáveis no momento ou com pouco valor.
- Maçã: idéias boas e fáceis de implementar. São as "low ranging fruits", ou tarefas que geram ganho imediato se implementadas. Por isso já vão direto para a fase de implementação.
- Bola: idéias que precisam de mais depuração. Estas idéias vão para a fase de conceituação.

c) Conceituação: as idéias "bola" são analisadas por mais pessoas, e são analisados fatores como mercado, demanda, tecnologia necessária, pessoal necessário e alinhamento com negócio.

d) Experimentação: é uma fase não obrigatória. É o famoso projeto piloto, para diminuir incertezas e produzir insights valiosos.

e) Implementação: definição de prazos, responsáveis, custos, método e etc. Virou projeto.

3. Tipos de inovação
Para deixar claro qual é o tipo de inovação demandado pela empresa, os autores mapearam 12 tipos diferentes de inovação:


Indico a leitura!

2012

Colaboração
O segredo dos grandes líderes para evitar armadilhas, promover a união e conseguir excelentes resultados

Este livro foi um presente de meu amigo Diego Julidori. E foi um belo presente. Eu  estou estudando bastante sobre redes sociais corporativas e social business software. Mas, antes de pensar nestas plataformas de colaboração, é preciso entender o que é a boa colaboração. E é disto que o livro trata.

A administração moderna, com linhas de responsabilidade bem definidas e recompensas para os vencedores não estimula a colaboração. Neste modelo, cada chefe recebe uma missão e será cobrado e reconhecido por esta missão. Entre ajudar o colega em outro projeto mais importante para a empresa ou atingir sua meta, a meta é sempre privilegiada. Por isso, colaboração antes de tudo é cultura da empresa. A empresa reconhece a colaboração como sendo boa? Ou só privilegia vitórias individuais?

Colaboração disciplinada
O autor defende uma teoria de três passos bem simples:

1. Avalie quando colaborar
Colaborar nem sempre é bom. Exemplo disso são as intermináveis reuniões com pessoas que não sabem a razão de estar lá, com decisões não sendo tomadas e um plano de ação longe de acontecer. Para saber se deve colaborar ou não, avalie: teremos um resultado melhor se colaborarmos? O objetivo da colaboração nunca pode ser a colaboração em si. Fato. Outro fato é que a colaboração envolve custos: custos de oportunidade e às vezes custo de deslocamento, como viagens. Leve isso em conta.

2. Mobilize (querer fazer)
Promova a união das equipes e remova o vilão da colaboração: vaidade. Muitas vezes as pessoas não colaboram por pura vaidade. "A idéia não foi minha", "eu sou o dono desta informação", "porque eu não sou líder deste projeto?" - são algumas frases que muita gente pensa, mas não fala...
Uma das saídas do autor é ter metas individuais e metas de colaboração, tangibilizar o valor do trabalho em equipe, dar exemplo pela diretoria, criar uma linguagem de colaboração, ter avaliação 360 graus e etc.

3. Colabore (saber fazer)
As vezes as pessoas querem colaborar, mas não sabem como fazer. Não sabem onde encontrar a informação, não sabem quem deve participar e não sabem como repassar conhecimento. Encontre a causa raiz e trate o problema: com ferramentas de redes sociais corporativas, treinamentos, formação de redes informais e outros.

Frase matadora do autor: colaborar errado é pior do que não colaborar.

Vídeo para quem quiser conferir: